janeiro 25, 2004

AI PALESTINA

Intifada pedra sangue
de menino a lutar
Por Allah da liberdade
àguias mortas de pesar
De Ramallah e Jenin
chôro e pranto tão vermelho
sangue em rocha derramado
intifada feito fado
Ai Palestina, Phalestyn
Cola teu espelho quebrado
grita, grita mais além
Palestina, Phalestyn
Terra de Jerusalém

(Letra- Valéria Mendez; Música- Carlos Gonçalves)

[Esta letra de fado foi-nos gentilmente enviada pela fadista Valéria Mendez, a quem agradecemos muitíssimo esta sua colaboração.]

Publicado por void em janeiro 25, 2004 09:11 AM
Comentários

Tendo como pretexto esta letra de fado da Valéria, não posso deixar de salientar o quanto a(s) Arte(s) pode(m) ser importante(s) instrumento(s) de intervenção social. Ou seja, independentemente da "Arte pela Arte", esta pode rentabilizar ainda mais o seu papel, fazendo acrescer aquela que é a sua função social.

O Fado como forma de expressão cultural muito portuguesa é utilizado, dessa forma, pela Valéria. Estamos, pois a meu ver, perante um novo tipo de fado, bastante afastado daquela ideia de marialvismo onde predominam, também, as histórias de desgraça, no sentido de "faca e alguidar". Este tipo de expressão musical pode, pois, ser muito mais do que isso, sendo que hoje já não é só isso. Basta lembrarmo-nos, por exemplo, do que a fadista Mísia disse sobre o assunto há dias atrás.

Valéria, se aqui vieres, apresenta-nos um pouco a totalidade do teu trabalho e explicam-nos qual é, para ti, a função assumida ou que fazes assumir, pelo/ao Fado.

Beijo muito grande para ti (por escrito).

:)**** (simbolicamente)

Afixado por: Sandra em janeiro 25, 2004 09:36 AM

Gostava de saber se o Lu'is Represas vai fazer uma musica com esse poema?
Gostava mesmo de saber se os portugueses vao chorar tanto com ela como "choraram" com Timor...
guess not... Por ca vivesse o "eles(note-se os mouros, os arabes incultos) andam sempre as turras"

enfim... jinho

Afixado por: spencer em janeiro 25, 2004 10:39 AM

Se já gostava da Valéria... agora ADORO-A! Obrigado pelo poema, amiga!
À dama do blog os meus parabéns também.


Um abração do
Zecatelhado

Afixado por: Zecatelhado em janeiro 25, 2004 12:37 PM

Se já gostava da Valéria... agora ADORO-A! Obrigado pelo poema, amiga!
À dama do blog os meus parabéns também.


Um abração do
Zecatelhado

Afixado por: Zecatelhado em janeiro 25, 2004 12:37 PM

Gostei que aqui tivesses vindo, Zacatelhado!
Sim, de facto, a Valéria merece toda a nossa consideração. Este fado é uma pequena ilustração. O seu blog "diarístico", é um complemento decisivo.
Quanto à "dama", agradeço. Eheheh...

:)***

Afixado por: Sandra em janeiro 25, 2004 01:12 PM

Começo por agradecer a gentileza de publicarem a minha letra, Ai Palestina. Dando resposta ao repto da Sandra, não terei nenhuma pretensão em inovar o Fado,nem dar-lhe novas rotas.O Fado,como expressão do sentir, abarca diversos graus do sentir humano. Amália Rodrigues ,quando em 62 gravou o Fado Abandono ,de David Mourão Ferreira,e viu o seu disco apreendido pela censura de Salazar,dadas as implicações políticas que o poema tinha, deu esse primeiro passo no sentido de "usar "o Fado,como expressão interventiva junto da sociedade.Em 70,Amália volta à carga com Trova do vento que Passa,de Manuel Alegre,um poema muito forte,em termos de intervenção junto das consciencias.Em 77, por exemplo, as baterias de Amália voltaram-se para a Ecologia,com Caldeirada,um autentico hino de defesa do ambiente,alertando de novo as consciencias para o problema da Poluição das Águas.Estes são três exemplos muito mais representativos, que o simples poema de minha autoria.O facto de eu incluir num Fado,uma temática "não portuguesa",deve-se à actualidade em que se vive.Nesta aldeia global em que vivemos,os problemas do Medio Oriente,passam também a ser nossos também,para não falar do facto de que a solidariedade não tem fronteiras geográficas defenidas.Quando a propria Amália gravou em Francês,o tema Inchallah,nos anos setenta,aflora já duma forma quase profética,a infeliz perpetuação do "sangue de Jerusalem" derramado inutilmente.Em consequencia,não terei a veleidade de inovar o Fado,ou servir-me dele para novas abordagens.O fado "Ai Palestina",poderá ser,isso sim, uma mui humilde continuação do caminho já desbravado pela grande diva portuguesa.Até hoje,a unica grande inovação do Fado, deve-se exclusivamente a Amália, quer no sentido do seu aproveitamento em novos contéudos, quer no plano da composição musical,fortemente enriquecida pelos parceiros compositores, com quem ela trabalhou, e que trouxeram o "apport" decisivo ao Fado,na sua "imposição" mundial,como canção urbana,de raiz étnica,mas sempre aberta às novas realidades. A propria inclusão no Fado,da chamada Literatura séria, tem em Amália a sua primeira fomentadora.Quando ouvimos Erros Meus ou Dura memória de Camões, ou ainda Malaventurado de Bernardim Ribeiro,ou ainda Ah quizesse Deus do rei D.Diniz,musicados por Alain oulman,e criados pela força portentosa de Amália, temos a impressão de que afinal o Fado, é a linguagem por excelencia,para a divulgação dessa Literatura poética, que de contrário, serviria quase exclusivamente para deleite de muito poucos, ou ainda para satisfação egocêntrica dalguns professores universitários,mais preocupados em análises semanticas,do que propriamente no "sentir" profundo que os Poetas emprestaram às palavras.Quando ouvi uma vez, um operário emigrante em França trautear,enquanto trabalhava numa obra,em cima de um andaime, o Com que voz de Camões,percebi quanto o poeta Maior da Lusofonia se havia cumprido.E isso,graças a Amália, talvez, o maior génio Português do século XX.

Afixado por: Valeria Mendez em janeiro 26, 2004 08:13 PM

Valéria:
o teu comentário deixou-me absolutamente rendida. Simplesmente brilhante!
Sim o que dizes de Amália é verdade. Sei que para ti Amália é uma referência, o mesmo acontecendo relativamente à minha pessoa embora, obviamente, com alguns contornos diferenciados.
Julgo, no entanto, que não te deves "esconder" atrás da nossa diva. Ela teve e terá, sempre, o seu lugar. Tu, apesar do caminho percorrido, continuas a construir o teu. "Ai Palestina" é um excelente exemplo naquela que é a totalidade do teu reportório.
Continua! Continua sempre e com toda a força que tens hoje.

Um grande beijo.

Afixado por: Sandra em janeiro 26, 2004 08:52 PM

link

Afixado por: link- em agosto 30, 2004 09:45 AM